sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

aventuras nos transportes #1

Nos transportes públicos encontramos todo o tipo de pessoas, cada uma com a sua mania, cada uma com o seu modo. Ora vejamos:

Tipo 1: Jogador(a) de Rugby
Aquelas pessoas que fazem placagens a meio mundo - incluindo velhotes, grávidas, crianças - para encontrar um lugar sentado para uma viagem de 5 minutos. Encontro-me com elas todos os dias.

Tipo 2: Music nerds
Aqueles que vão de phones nos ouvidos, não ouvem nada, não vêm nada, não querem saber. Temos dois sub-tipos: os que ouvem música paradinhos e aqueles que - como eu - mexem pernas, mexem corpo e vão dançando até encontrarem um olhar furtivo das pessoas tipo 3.

Tipo 3: Voyeurs
Aquelas pessoas cuja diversão é olhar para outras pessoas. Não querem saber, olham directamente, fitam e mesmo quando as olhamos nos olhos com um género de expressão "sim?!" continuam. É ignorar, amigos, ignorar.

Tipo 4: Leitores
Outro tipo onde me encaixo. Aqueles que vão a ler e estão completamente absortos da realidade que os rodeia. Temos também dois sub-tipos aqui: os que mexem os lábios enquanto lêem e os que não. Depois há um terceiro sub-tipo que encontrei hoje e que me motivou a escrever este post: os que lêem alto. Sim, hoje tinha uma miúda à minha frente no comboio que lia alto e tirava conclusões para quem quisesse ouvir. Foi o meu primeiro encontro com alguém deste sub-tipo.

Tipo 5: Leitores alheios
Aquelas pessoas que se sentam ao lado dos leitores e sem qualquer tipo de medos lêem o livro, o jornal, as sms do lado... tudo para passar o tempo.

Tipo 6: "Vou falar ao telefone e toda a carruagem vai ouvir"
Nunca conseguiria expressar toda a minha frustação com este tipo de pessoas. Acontece mais no comboio do que no metro e invariavelmente é alguém que vai à minha frente e decide que ali é o lugar ideal para fazer chamadas e discutir assuntos de foro pessoal ou profissional. No outro dia era uma jovem engenheira que ligou a três pessoas diferentes para discutir aspectos variados de uma obra. Ria muito alto, falava ainda mais alto e flirtava com o Engenheiro com quem ia ao telefone. Todas as pessoas na carruagem olhavam num momento ou outro para ela, na esperança que se calasse e que deixasse o resto das pessoas na sua paz. Anteontem foi uma senhora que contava à prima do Porto a vida da sua família, que uma das filhas estava grávida com poucas semanas, casada com alguém de elite porque não se calava com os 3.000 apelidos do marido, que tinha família no Norte, nas "vivendas da Foz" e que ela própria também lá tinha família e blá blá blá blá. Às tantas pousei o livro, meti os phones, transformei-me numa Music Nerd e lá fiz a minha viagem, com a música aos berros, a tentar abstrair-me daquilo. Medo.

Sem comentários: